Os planos de saúde querem expulsar os idosos. Revoltante!

Indignação é pouco para explicar o que senti, na última semana, ao ler o artigo “Fui expulso do meu plano de saúde”, da Folha de São Paulo, escrito por Ailton Barcelos Fernandes, psicólogo e professor, que, mesmo tendo sido ministro da Indústria e Comércio no governo Itamar Franco, prefere se definir apenas “como um idoso segurado de plano individual de saúde”.

Após dramática e consistente exposição dos seguidos – e abusivos – aumentos a que vêm sendo submetidos os idosos nessa situação, ano a ano, ele conclui definindo bem como se sente.

Na prática é como se os planos de saúde, disfarçadamente, usassem esses aumentos massacrantes para “expulsar” os idosos que se utilizam de seus serviços. Algo que poderia ser resumido a um triste slogan: “Velhos?! Pra quê?! Melhor não tê-los”.

E os números não mentem: mesmo os segurados sendo obrigados a ficar mais de dois anos em casa, reclusos, por conta da pandemia, período em que, segundo o articulista, “os doentes morriam em casa e não usavam seus planos”, a ANS impôs às prestadoras de serviços da área um modesto reajuste negativo de 8,1%.

Logo em seguida, no entanto, seguem vindo as porcentagens de muitas dezenas – e até maiores do que uma centena – de aumento, sepultando de vez as possibilidades de qualquer idoso, depois de muita ginástica e acrobacias sem fim, tentar manter essa “regalia”.

Tenho utilizado boa parte do meu mandato para lutar contra esse crime a que, à luz do dia, os nossos idosos seguem sendo submetidos. Mas a luta, infelizmente, tem sido inglória. O lobby dos Planos de Saúde deve ser muito forte, a ponto de silenciar os que têm o poder real de acabar com esses lucros bilionários.

E os nossos idosos, pobres, parecem mesmo condenados a uma morte lenta e silenciosa, desprotegidos e largados à própria sorte, por governantes preocupados apenas em manter, eles sim, as muitas regalias do poder. Até quando vamos tolerar isso?!